Saiba mais sobre a Redução de percentual a ser financiado pela caixa para 50%

A Caixa Econômica Federal reduziu, pela segunda vez no mesmo mês, a cota máxima de financiamento de imóveis. Desta vez, porém, apenas os usados sofreram a redução. A partir da próxima segunda-feira, o banco financiará, no máximo, 50% do valor do imóvel, nas operações do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) — imóveis até R$ 750 mil — com uso de recursos da poupança. Até agora, o percentual era de 80%.

No caso de imóveis financiados pelo Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) — imóveis acima de R$ 750 mil —, pelo Sistema de Amortização Constante (SAC), o valor máximo será de 40% em vez dos 70% de antes. Os novos percentuais não valem para financiamentos feitos com a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) — imóveis até R$ 190 mil — e nem por cotistas do Fundo, que podem comprar imóveis de até R$ 750 mil. Para essas modalidades, continuam valendo o percentuais máximos de 90% e 85%, respectivamente.

Com a mudança, um imóvel de R$ 300 mil, por exemplo, poderia ter, desse valor, até R$ 240 mil financiados — ou seja, o comprador teria que ter R$ 60 mil de entrada. Com a nova regra, o comprador terá que ter, no mínimo, R$ 150 mil de entrada, já que só poderá financiar até R$ 150 mil.

Em nota, a Caixa justificou a mudança dizendo que “o foco do banco este ano será o financiamento de imóveis novos, com destaque para a habitação popular – operações do Minha Casa Minha Vida e recursos do FGTS. A CAIXA reforça que estas operações de habitação popular não tiveram nenhuma alteração”.

Especialistas divergem sobre consequências no mercado imobiliário

Hamilton Quirino, advogado especialista em Direito Imobiliário, avalia que, com a medida, a queda na venda dos imóveis usados será grande e, com isso, haverá reflexos também nos preços.

— As pessoas quando compram financiado geralmente compram com uma poupança mínima. A queda de imóveis usados vai ser muito grande, só quem tiver recursos vai poder fazer. Cinquenta por cento é muito pouco. E o mercado é um reflexo da conjuntura. No momento em que você tem dificuldade de vender, com financiamento limitado, você tem que reduzir um pouco os preços. (A redução) Não será abrupta, mas gradualmente vamos sentir, sim.

Por outro lado, Leonardo Schneider , vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio (SecoviRio) acredita que ainda é cedo para dizer se os preços vão cair.

— O preço está acomodado neste momento. Eu não sei se haverá queda de preços. Mas com certeza haverá queda de financiamento, pois as condições pioraram um pouco. As vendas vão ser mais difíceis para acontecer. Se os preços caírem, não vão cair muito, não. São diversos fatores. No Brasil, isso (quedas significativas de preço) não acontece.

Para Schneider, a mudança é a concretização de uma medida mais conservadora da Caixa.

— Ela deve ter os indicadores que serviram de base para ela tomar a sua decisão. Talvez, o aumento de inadimplência … a gente sabe que o no mercado imobiliário um dos pilares é o aumento dessa modalidade de compra, de financiamento. É difícil, hoje em dia, com a nossa economia com inflação, você ter gente com capital para comprar à vista. A modalidade, sem dúvidas, é financiar. Com o aumento da taxa de juros… a Caixa tenta ser mais precavida.

O especialista lembra, porém, que os consumidores têm outras opções além do banco estatal:

— Temos bancos privados oferecendo produtos similares aos da Caixa. Já ouvi que há bancos colocando o time em campo… Se a Caixa travou um pouco (as condições favoráveis), vai buscar outro banco.

Confira como ficam as cotas máximas a partir do dia 4 de maio:

Cotas Caixa

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